.por amor, e para amar*

O domingo dessa semana é uma ode ao amor.

Depois da música de Criolo que diz “não existe amor em sp”, parece que a cidade passou a gritar mais alto por amor – Não sei se grita pela necessidade do amor ou se grita a existência desse amor. Assim como a música de Criolo que parece uma voz vinda da rua, da urbe, os movimentos pró-amor também ecoam dos muros, das pessoas, das ruas e das calçadas. Mais adequado do que chamar de movimento, chamemos de intervenções urbanas: Mais Amor, Por Favor; Aqui Bate um Coração; e O Que Você Ama em São Paulo?.

Mais Amor, Por Favor idealizado por Ygor Marotta, nasceu em 2009 com intenção de despertar um “se ligue” nas pessoas. Um pedido, doce e educado por mais amor. Espalhado por meio de lambe-lambes e pichações pelos muros, postes e esquinas da cidade que arde, o mais amor, por favor, vem com docilidade nos tirar da agressividade, da velocidade e da indiferença cinza de São Paulo. A dupla realiza também neste mês, até 10 de agosto, uma exposição “Ilumina Suave”, na Associação Cecília Cultural, onde reúne vários trabalhos como aquarelas, pinturas, fotografias e projeções em movimento.

.Claudia Martini 2010.

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Aqui Bate um Coração é recém-nascido de uma madrugada em São Paulo, quando 20 amigos saíram pelas ruas da metrópole colando e distribuindo corações vermelhos de isopor no peito de estátuas da Sé, Anhangabaú, República, Arouche, Ibirapuera e Trianon. De São Paulo, pro mundo.

 

.Londres – abril/2012.

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O que você ama em São Paulo? é um movimento idealizado pelas designers Rafaela Ranzani e Ana Luiza Pereira, cuja pergunta acabou reunindo as mais diversas respostas, tão múltiplas e diversas quanto São Paulo. O que se quer é compartilhar segredos de amor, ou como dizem as meninas:

O que nós amamos em São Paulo é que todo mundo tem um segredo pra contar sobre a cidade. Não seria legal se pudéssemos compartilhar nossos segredos? Escreva o que é especial para você em São Paulo e divida com alguém especial!”

 

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O cinema sempre vanguarda traz um lançamento esse mês, que já vem recebendo belas críticas e prêmios: Vou Rifar meu Coração.

Documentário relaciona o imaginário romântico, erótico e afetivo brasileiro, a partir da obra dos principais nomes da música popular romântica, com histórias reais, da vida amorosa de pessoas comuns. Vem para falar sobre a intimidade de pessoas reais, em situações reais. Vem para engrossar o caldo da necessidade pulsante nossa, humana, pelo amor.

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* Melhor Direção – 7º FestiCine Goiânia
* Melhor Direção de Arte de Documentário e a Menção especial da associação dos críticos cinematográficos do Urugua (Fipresci Uruguai)i – Festival AtlanticDoc 2011

* Estrelado por Agnaldo Timóteo, Amado Batista, Lindomar Castilho, Nelson Ned, Rodrigo Mell, Walter dos Afogados, Wando.

* Realizado por Ana Rieper

* Produzido por Suzana Amado

Fiquem com o trailer:

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!Palavra de Melinda!

No sofá, com Guimarães

O post de hoje vem a ser um mix de poltrona de leitura com divã. Poltrona de leitura, porque trago um livro, que exige tempo e dedicação. Divã, porque o livro é uma carga terapêutica para o seu personagem central e para quem o lê. Acho que Grande Sertão pode ser muita coisa, diferente para cada um que o leia. Para mim, certamente, não é um romance sobre histórias do cangaço, mas sim um romance que revela. Revela coisas sobre a vida, sobre a trajetória da vida e as questões que envolvem essa trajetória. Grande Sertão é travessia.

João Guimarães Rosa. Grande Sertão: Veredas.

Caminhos do sertão de Guimarães Rosa. Ed. Nova Fronteira, 2011.

Pessoalmente, Grande sertão é uma paixão, é uma compreensão de identidade. Romance de revelações. A primeira coisa a se revelar é a linguagem. Linguagem elaborada, ao primeiro encontro difícil, mas depois aconchegante, porque exata, profunda e certeira. Nonada. Tal qual Riobaldo, um jagunço feito de amor. Como pode um jagunço ser feito de amor? Isso é o sertão do Grande Sertão e é também a compreensão da vida.

O que dizer de Diadorim? Essa mulher secreta, amor proibido, determinada a ser um homem-jagunço para assim cumprir sua sina. O que dizer de um jagunço se permitir amar um outro jagunço e chamar a tudo isso de mandante amizade? Imensa poesia!

É romance que se comunica com o leitor, com o mais íntimo mergulho da própria vida do leitor, desde que este esteja disposto a. Lendo as palavras sábias de Riobaldo, que tanto tanto nos ensina sobre a vida e sobre a morte, o que eu sinto é carinho. Compartilhar Riobaldo, Diadorim, João Ganhoá, Compadre Quelemén, Otacília etc etc etc é, para mim, compartilhar carinho.

Guimarães Rosa desvenda os sertões, abre as nossas veredas da lucidez. Quantas questões carregamos em nossa travessia? A gente segue lendo, seduzido, sem dar conta de decifrar tanta poesia, tanta simbologia, sem dar conta de carregar tanto amor.

Viver é ou não é perigoso? Riobaldo é quem nos sabe.

Merece leitura dedicada, completa e reincidente. Romance para se beber dele por muitas vezes na travessia nossa da vida. Mas, eu aqui, nessa fase atual de minha travessia, compartilho 10 trechos, eleitos pelo coração.

.pelo sertão de Guimarães (I)

.pelo sertão de Guimarães (II)

.pelo sertão de Guimarães (III)

.pelo sertão de Guimarães (IV)

.pelo sertão de Guimarães (V)

.pelo sertão de Guimarães (VI)

.pelo sertão de Guimarães (VII)

.pelo sertão de Guimarães (VIII)

.pelo sertão de Guimarães (IX)

.pelo sertão de Guimarães (X)