Nesse domingo, vamos ver um pouco de tv? Tv italiana?
O CORPO DAS MULHERES, documentário que traz imagens e cenas da tv italiana, apresentado em 25 minutos.
Trabalhado na hipótese que as mulheres reais estariam desaparecendo da televisão e sendo substituídas por um estereótipo de mulheres vulgares e plastificadas. Mais, que estaria ocorrendo o cancelamento da identidade das mulheres bem embaixo dos nossos olhos, sem que haja uma resposta adequada, nem mesmo pelas mulheres.
O estereótipo de sensualidade feminina que é estimulado na tv italiana beira a bizarrice, embora não tão distante daquilo que a gente assiste aqui nas tvs brasileiras de nossas casas.
Um documentário bem legal de se assistir num domingo, o dia nacional da banalização do feminino:
Num belo 13 de julho de 1985, foi realizado o Live Aid, um mega evento organizado por Bob Geldof, cujo objetivo principal, além fazer muita música, era o de arrecadar verba para o fim da fome na Etiópia. Os shows aconteceram simultaneamente em Londres, na Inglaterra, e na Filadélfia, nos Estados Unidos, além de transmitidos pela BBC para diversos países. Levando a pauta da fome na África para o debate mundial. Por causa desse mega evento, a data ficou conhecida como o dia do rock.
É em homenagem ao 13 de julho, que a gente do PalavradeMelinda trouxe uma listinha de filmes, com links para download, para os amantes da filosofia do rock curtirem uma ressaca no sofá. Mas, para aqueles que preferem rockear fora de casa, e estarão em São Paulo neste mês, o Cine Olido traz uma mostra também em homenagem ao rock, com mais de 20 filmes. De 17/07 a 02/08, por R$ 1,00 a entrada.
Os reis do iê iê iê (A hard day’s night) – 1964
Direção: Richard Lester Roteiro: Alun Owen Elenco: The Beatles
O Último Concerto de Rock (The Last Waltz) – 1978: sobre a despedida do grupo “The Band”, com a presença de Bob Dylan, Neil Young, Eric Clapton e outros – aqui.
Shine a Light (2008) – sobre os Rolling Stones – aqui.
George Harrison: living in the material world – 2011: sobre a vida e carreira de George Harrison – aqui.
Cría Cuervos, de Carlos Saura, é o filme que vai nos prender neste domingo. O filme é uma poesia, que penetra através dos olhos de uma criança (Ana) em nossa alma de adulto. A morte talvez seja a personagem central. A morte e a imaginação infantil. Dói e é bonito. A morte como algo que rompe drasticamente o curso da vida, a morte como algo sem solução, a morte como uma solução: “quiero que se muera”, afirma Ana, ainda criança.
Um filme sobre o masculino e o feminino, sobre a vida. Realista, mas nunca pessimista, é apenas um filme sobre a naturalidade das dores, das saudades e da continuidade. “Não entendo por que dizem que a infância é a época mais feliz na vida de alguém”, Ana questiona, já adulta.
Carlos Saura tece a narrativa misturando fatos do presente, com lembranças do passado e fantasias da imaginação, numa teia tão perfeita que acreditamos seja real. Um história sobre nossos fantasmas? talvez. Certamente, não é um filme de chororô, embora seja bem possível chorar. Está longe de ser um melodrama vulgar. Um filme feminino, que abre as chagas das mulheres: ana, as irmãs, a tia, a mãe, a avô, Rosa e a mulher dona de uma beleza sedutora.
O arrebatamento está em muitos detalhes, mas principalmente no reconhecimento de que sim sofrimentos fazem parte da nossa existência, de nossa formação, desde a infância. Saura nos desperta para o fato de que na infância, eles são recebidos com mais impacto e de como são internalizados inconscientemente, naturalmente. Saura nos desperta para os sentimentos que nós carregamos da nossa própria infância. Tudo isso relatado pelos profundos, negros e gigantes olhos da atriz mirim Ana Torrent.
Se isso tudo não fosse bastante, é um daqueles filmes que traz uma trilha inesquecível. Mais, uma daquelas trilhas que traz uma música inesquecível, que perdura. Eu deixo a música para vocês. De melodia suave e alegre, e de letra triste, doída.
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Título: Cría Cuervos
Roteiro e direção: Carlos Saura
Atores: Geraldini Chaplin; Mônica Randall; Florinda Chico; Ana Torrent; e Josefina Díaz.
Para relaxar nesse domingo, eu trouxe a trilha sonora de um filme não tão recente, mas que eu amo de paixão: Lavoura Arcaica. Marco Antonio Guimarães nos presenteou com essa trilha instrumental e visceral. O filme ganhou, dentre tantas premiações, prêmio de melhor trilha sonora no Festival de Cartágena, na Colômbia; no Santo Domingo International Film Festival, na República Dominicana; e no International Film Festival of Havana, em Cuba.
Baseado na obra literária de Raduan Nassar, a narrativa é contada a partir da visão de André (Selton Mello), o filho desgarrado, que carrega a dor de ser apaixonado por sua irmã Ana (Isadora Spoladore). O filme acerta pela trilha sonora, pela fotografia, pelo elenco e pelo roteiro, ainda que este tenha recebido críticas por ter se mantido fiel à obra literária. Como se tudo isso não fosse suficiente para assistirmos e guadarmos na videoteca esse filme, tem ainda a dança que é uma peça à parte.
Cena da festa, e a primeira cena de dança – música Ya Babour.
O filme está disponível no youtube em 12 partes: clique aqui.
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Ficha técnica:
Título Original: Lavoura Arcaica
País: Brasil
Gênero: Nacional e Drama
Ano: 2001
Diretor: Luiz Fernando Carvalho
Duracao: 163 min
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Prêmios:
Grande Prêmio BR de Cinema (2002) – melhor atriz (Juliana Carneiro da Cunha) e melhor fotografia;
Festival de Montreal (2001) – melhor contribuição artística;
Festival de Brasília (2001) – melhor filme, melhor ator (Selton Mello), melhor atriz coadjuvante (Juliana Carneiro da Cunha) e melhor ator coadjuvante (Leonardo Medeiros);
Mostra de Cinema de São Paulo (2001) – prêmio do público;
Festival de Cartagena (2001) – melhor filme, melhor diretor, melhor fotografia e melhor trilha sonora;
Festival de Havana (2001) – prêmio especial do júri, melhor ator (Selton Mello), melhor fotografia e melhor trilha sonora;
ABC Trophy (2002) – melhor fotografia de longa metragem;
Festival de Buenos Aires do Cinema Independente (2002) – prêmio ADF de fotografia, prêmio do público, prêmio kodak e menção especial para Luiz Fernando Carvalho;
Festival de Guadalajara (2002) – melhor filme, pelo júri internacional.