No ateliê dessa semana, a gente continua a desfrutar das ideias criativas do estilista Tony Jr. Dessa vez, com um papo regado a cafés, risadas e fotos do editorial realizado no ano passado: uma parceria minha, como produtora de moda, do fotógrafo Tiago Farina e do próprio Tony Jr.
Prepare sua xícara de café e sente-se conosco:
PalavradeMelinda: Olhando para sua loja, a gente vê que uma parte é criação, uma parte é mais conceitual, outra mais comercial… Como você definiria o trabalho que você faz?
- A parte mais conceitual veio de desfiles. Hoje, eu não tenho mais esse compromisso. A criação não pára, mas, eu não me prendo a um tema e nem a uma idéia fixa, de, por exemplo, fazer toda uma coleção, cores, etc etc dentro desse tema. Hoje, minha criação é livre. Eu diria que meu trabalho é muito cansativo. Mentalmente cansativo. Meio que tenho que ter uma memória fotográfica das peças. Onde está essa ou aquela peça, se ainda a tenho e quanto é… É um trabalho desgastante. Tem peça que eu bato olho e penso “é acervo”, outras “pessoal”, outras “tendências” porque são vários segmentos dentro de um mesmo nicho. Hoje, eu quero continuar com meu acervo e buscar sempre ampliá-lo. Eu pesquiso história da moda através das roupas. Sabe… Muitas das coisas que faço, as pessoas não entendem, e passa um tempo assim, até eu ser reconhecido. Foi assim com as sobreposições de silk que eu faço desde 1999/2000. Hoje, a Zara faz, a C&A também. Mas, na época as pessoas não entendiam e criticavam.
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PalavradeMelinda: E figurino, Tony, sei que você fornece figurino para a rede globo, para a MTV. Mas, como é sua relação com figurino? Você desenha figurinos, você pesquisa figurinos, fornece acervo? Como é seu trabalho com figurino?
- Eu crio figurino, eu desenho, algumas vezes. Por exemplo, a peça Os Lusíadas de Camões, produzido por Ruth Escobar e dirigido por Márcio Aurélio. Eu desenhei e criei o figurino da peça, mas eu também alugo figurino tão somente. E cada vez mais, a loja tem sido descoberta como centro de figurino.

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PalavradeMelinda: Tony, me fala um pouco sobre Tony Jr, o estilista? Onde você pesquisa? Quais artistas você tem como referência? Fala um pouco sobre o seu trabalho como estilista…
- Eu procuro muito nas ruas as referências, olho o que as pessoas estão usando. Eu não estou mais querendo criar uma peça que ninguém nunca fez. Eu quero fazer o que as pessoas querem usar. Isso que mudou. Estou mais focado no comercial, mas não numa visão careta, e sim numa visão de querer satisfazer os desejos da estação.
PalavradeMelinda: E esse acervo incrível, de onde vem todo esse acervo? Onde você garimpa tanta coisa? Porque sua loja vai muito além de vestuário. Tem verdadeiras relíquias entre um objeto decorativo e outro…
- Eu encontro em vários lugares inusitados. Posso ir num ferro velho e encontrar! Já encontrei muita coisa em lixo também, em caçambas e na casa de pessoas que se mudam e vendem tudo.

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PalavradeMelinda: Atualmente, o que mais tem te interessado, além de moda? Cinema, dança, fotografia, a noite, São Paulo, blogs…? O que tem atraído sua curiosidade?
- O lifestyle das pessoas. A casa das pessoas, a decoração, o jeito de morar. O mundo das pessoas me interessa. Aí, eu acesso blogs, revistas…

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PalavradeMelinda: Quando a gente fala sobre tendência de moda, de comportamento, acho que até do conceito do que seja moda para o futuro, você pensa em quê? O que você espera da moda para os próximos anos?
- Acho que são duas coisas. Existe um mercado de luxo, as Maisons. Isso sempre vai existir porque tem muito investimento por trás. Mas o Fast Fashion vai ser cada vez mais procurado. Até porque essas lojas têm agregado os grandes estilistas para criar para elas. A segunda coisa é a sustentabilidade. O sistema vai precisar se atentar pra isso. Acho que a indústria vai reduzir a produção. A gente vai ver “Diga não aos grandes shoppings” ou “Diga não ao made in China”.
Acho que vamos retornar ao tempo em que as pessoas reformavam suas próprias roupas. Posso estar sendo louco, mas… (rs) Acho que as lojas como Fórum, Ellus etc vão precisar mudar de estilo porque o consumidor mudou, não é mais minha geração dos anos 90, que procurava estrutura, indústria e vitrine. Hoje, o consumidor procura história nas peças que compra. Acha muito mais interessante ir a uma feirinha de roupas e de arte do que a um shopping para fazer compras. Acho que por isso, a moda vintage tem encontrado força. Algodão, linho, cashmere estão mais em alta. Acho que a juventude quer buscar aquilo que eles não viveram.

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PalavradeMelinda: Você arriscaria falar que a alta costura vai deixar de existir?
- Não. É também uma questão de ego e de jogo de poder e dinheiro. Paris quer continuar a capital da moda, sem contar o dinheiro que a alta costura faz girar. Mas, isso não quer dizer que vá ter clientes. Porque o vintage também dá exclusividade e bom acabamento nas peças. Não é roupa usada. O vintage permite o mesmo luxo da exclusividade, e o conceito de luxo está mudando. A Brastemp está fazendo uma linha retrô. Porque esse novo consumidor quer viver isso. Quer viver um ar do passado e isso tem refletido em tudo: carro, roupa e design.
Rua Humberto I, 999. Vila Mariana. São Paulo/Sp. Tel: (11) 2574-1337.

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!Palavra de Melinda!
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