Quem visita o ateliê essa semana é a arte da amiga Taíme Gouvêa. A mineirinha de BH tem uma maneira muito poética de se descrever, não gosta de carregar em si o termo “artista plástica”, reconhece-se melhor como “fotógrafa artesã de psicologias em tecidos”. Foi com essa sensibilidade poética que Taíme levou seus traços e olhares para Aracaju (onde a conheci), Rio de Janeiro e São Paulo. Hoje, moradora de Curitiba/PR, vem apresentando o mais maduro e produtivo período de sua arte.
A garota de 28 anos já foi assistente do artista plástico Wagner Pinto e é atualmente assistente da também artista plástica Sandra Hiromoto. Na sua trajetória, atuou com fotografia; com pintura à mão de camisetas, saias e bolsas; com pintura em telas e em mdf; com produção cultural; além de projetos sociais e psicologia. Suas ilustrações já estamparam capas para a revista Yoga; projetos sociais, como o “Transforme sorrisos”, de Curitiba/PR; livros infantis; o livro Tarja Preta, de Zinho Trindade; e pequenas exposições, como a feMininus ocorrida em Fortaleza/CE.
Além dos materiais comuns, como nanquim e tinta, Taíme costuma fazer uso de alguns materiais inusitados, como café e maquiagem. A carga de toda essa bagagem, a gente pode ver nos seus desenhos, alguns disponíveis para venda no site Poliketa.
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Nessa visita ao ateliê, além de expor o trabalho dela, a gente não poderia perder a oportunidade de bater um papo e tomar um bom café. Aceite uma xícara de café você também e sente-se para essa conversa:
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PM – Eu gosto muito da sua fotografia, mas você não anda mais tão dedicada a ela, não é mesmo? Sei que ela ocupou bastante tempo do seu olhar.
TG – O lance da fotografia começou há muito tempo, mas teve uma época, que minha relação com fotografia era tão doentia que eu não via mais nada: eu enquadrava. Eu não olhava e via, eu enquadrava e pensava como aquilo poderia ser uma foto. Eu já deixei de viver muitos momentos porque vivi a fotografia, até que aconteceu de uma dia minha máquina ficar com fungo, tipo uma bolinha preta na lente, no canto direito superior das fotos aparecia sempre essa manchinha. Isso foi tão intenso e doentio, que eu sem a máquina via a porra do pontinho preto em tudo o que eu via. Daí, Laís [irmã] me deu uma bronca e eu me toquei do que eu estava fazendo. Eu estava esquecendo de olhar pras coisas com meus olhos e só enquadrava. Foi então, que comprei minha máquina atual, que é bem boa, e fiz a monografia [em psicologia] falando sobre imagem, sobre o corpo sendo construído nesse mundo imagético onde tudo é imagem. Onde, as imagens são publicidade do que se quer vender, e do corpo como capital. Esse blablablá acadêmico. Foi isso, eu fiquei louca e hoje eu só tiro foto às vezes. Acho que tá descansando também, assim como a escrita que parei um pouco. Tenho olhado mais pras coisas com meus olhos, sabe?
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PM – Nessa época da fotografia você já trabalhava com desenhos em camisetas?
TG – Então, eu comecei com camisas, né? Em 2003, eu acho… Ah, eu pinto ainda, pinto bolsas, inclusive, mas quero mudar de técnica porque eu pintava tuuudo à mão. Era muito trabalhoso e não é valorizado. Agora, eu quero investir em camisetas e bolsas pintadas em serigrafia. A qualidade é melhor e dá menos trabalho. Quero também começar a ver outros formatos. Por exemplo, eu sou apaixonada por xícaras e acho que seria legal vender xícaras com desenhos!
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PM – Hoje, qual o material que você mais tem gostado de trabalhar?
TG – Ah… café, aquarela, maquiagem e lápis de cor. Fiquei muito tempo explorando o lápis de cor, mas descobri o café ano passado e que delícia!
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PM – Tem muito de feminino nos seus desenhos, não tem? O que seria esse feminino que você vê?
TG – Muitas vezes. Diria 95% das vezes. Geralmente o tema dos desenhos é o feminino. O feminino, algo em torno da androginia, até meio travesti. Antes era mais voltado ao corpo. Tinha muito útero nos meus desenhos e a sexualidade passava mais nas entrelinhas. Hoje, eu acho que o que me faz desenhar é experimentar técnicas diferentes. Mas, às vezes, acho que é a única coisa que eu sei desenhar é mulher. Não sei, acho que é um tema intimamente complexo o ser feminina/mulher. Acho que tá ligado a tudo, ao social, ao político, ao emocional, mas principalmente porque eu odeio menstruar e tenho uma relação de amor-e-ódio com meu útero.
Ah! um tema frequente no início dos desenhos era uma coisa de corpo/natureza. Tinham muitas mulheres-árvores, mulheres-plantas, passarinhos. Acho que morar em São Paulo me deixou mais urbana, com aqueles milhões de estímulos urbanos… que depois diminuiu. Agora, não faço idéia do que seja.
Cara, eu acho uma doidera isso do corpo, porque rola o lance da sexualidade, né? Homossexualidades, Heterossexualidades, as sexualidades, enfim. Os hormônios, menstruação. Todo esse lance sexual, por isso acho que o lance do feminino tá muito presente nos desenhos, porque desenho mulheres que eu não sou e que eu sou e não sei. De repente, role mesmo essa coisa psíquica do corpo, de não se reconhecer no corpo, das mudanças do corpo.
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PM – Você falando e minha mente voando para “a pele que habito”, do Almodóvar. Você chegou a assistir?
TG – Siiim, é foda esse filme. E, a Pele, com Nicole Kidman, também é muito foda. E, janela da alma? Essa coisa de dentro e de fora é uma viagem pra mim. Tem uma frase que é uma das que mais gosto “nada tão profundo como a pele”, de Deleuze, questionando sobre esse ser de dentro e de fora, como se não houvesse o limite, esse limiar. É como definir loucura e razão. Há um sem o outro?
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Abaixo, algumas de suas obras, todas disponíveis para compra no site Poliketa.
Explorando texturas
Técnica: Nanquim em papel Canson - (21cm x 30cm).
R$ 35,00 (+ frete). *cópia numerada e assinada.
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Técnica: Café, nanquim, aquarela, caneta stabillo e maquiagem em papel canson - (42cm x 60cm).
Valor: R$280,00 (+ frete).
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Circo
Técnica: Nanquim e lápis de cor em papel sulfite 180g – (21cm x 30cm) e (30cm x 42cm).
Valores: A4: R$ 35,00 / A3: R$55,00 (+ frete). *cópia numerada e assinada.
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E nenhuma nudez será castigada
Técnica: Café, nanquim, aquarela, lápis de cor e maquiagem em papel canson - (60cm x 42cm).
Valor: R$380,00 (+frete).
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Quebra-cabeça
Técnica: lápis de cor em papel com textura - (21cm x 30cm).
Valor: R$70,00 (+ frete).
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Técnica: Camisa pintada à mão com caneta e tinta para tecido.
Condição: Peça vendida.
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FOTOGRAFIA
- Fotógrafa Still Longa-Metragem O Senhor do Labirinto – Aracaju/SE (2008)
- Divulgação da Banda Catatau e o Instrumental – São Paulo/SP (2010)
- Divulgação da Banda Xerafina – São Paulo/SP (2011)
- Artista convidada do Projeto Multigraphias (2011)
ILUSTRAÇÃO
- Ilustradora do Livro Tarja Preta – São Paulo (2010)
- Menção Honrosa – II Competitiva Nacional de Ilustração Literária – Londrina/PR (2011)
- Expositora no II Salão Nacional de Ilustração Literária – UNOPAR – Londrina/PR (2011)
- Ilustradora convidada do Coletivo Chá de Fita – Rio de Janeiro/ RJ (2011)
- Ilustradora convidada do Projeto Transforme Sorrisos – Curitiba/PR (2011)
- Expositora no II Festival Manifeste – Fortaleza/CE (2011)
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contato: tai.gouvea@gmail.com
!Palavra de Melinda!






